Moradores da região da Lagoa das Capivaras, em Garopaba, têm relatado a morte de diferentes espécies de peixes e plantas aquáticas ao longo das últimas semanas. Segundo os relatos, os primeiros sinais foram notados na manhã de domingo, 22 de junho, quando peixes começaram a aparecer mortos em diversos pontos da lagoa. Desde então, o fenômeno se repete, com novos registros quase diários.
Entre as espécies atingidas estão traíras, carás, tilápias, joanas e lambaris. Segundo relatos, a vegetação aquática que flutua sobre a água também foi afetada, especialmente nas proximidades de uma rua recentemente asfaltada.
Um dos moradores que acompanha a situação relatou a morte de mais de 50 traíras em um único trecho, além de outros exemplares de peixes conhecidos por sua resistência a ambientes degradados.
“A espécie mais afetada foi a traíra… Mais de 50 peixes. Tinha algumas tilápias e cará também. Nota-se um grande nível de anormalidade no meio ambiente, pois a espécie de cará destaca-se pela grande resistência à poluição ambiental e mesmo ela teve exemplares mortos”, afirmou o morador à reportagem do Garopaba.sc.

A situação despertou preocupação entre os residentes, que também alertam para o consumo de peixes pescados no local. “É bom alertar as pessoas sobre a pesca. Muita gente pesca ali e consome os peixes”, acrescentou.
Ainda conforme os moradores, alguns exemplares foram retirados da água para inspeção, mas não apresentavam sinais de ferimentos ou anzóis, o que descarta a hipótese de pesca predatória.

O que diz o Instituto do Meio Ambiente de Garopaba (IMAG)
Procurado pela nossa equipe, o Instituto do Meio Ambiente de Garopaba (IMAG) confirmou que está realizando o monitoramento ambiental da lagoa. De acordo com o órgão, estão sendo avaliadas variáveis como as espécies atingidas, comportamento dos peixes, presença de outros organismos mortos (como vegetação e fauna bentônica), floração de algas, materiais flutuantes, transparência da água, e condições meteorológicas.
Segundo o IMAG, o monitoramento é para tentar identificar se há alguma alteração ambiental aguda que possa ser responsável: esgoto, poluição química, chuvas intensas, muito calor, muito frio até mesmo descarte irregular de peixes.
Uma das hipóteses levantadas pela equipe técnica é a falta de oxigênio dissolvido na água, uma das causas mais comuns de mortandade em ambientes aquáticos. O IMAG informou que está tentando viabilizar o uso de um oxímetro para reforçar essa avaliação.
Em nota, o instituto ressaltou que não possui laboratório próprio para análises da qualidade da água. A responsabilidade pelo monitoramento da balneabilidade nas praias do município é do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC), que também realiza a sinalização das condições de banho. Apesar disso, o IMAG informou que mantém articulação com órgãos parceiros para viabilizar a realização de coletas e análises laboratoriais da água da lagoa.
O órgão também afirmou que a área continuará sob fiscalização ambiental contínua. Caso sejam identificadas irregularidades, serão adotadas as medidas administrativas cabíveis.