quarta-feira, 11 março 2026

Falta de balneabilidade na Lagoa de Ibiraquera evidencia problema crônico de saneamento, avalia analista

Especialistas defendem ações integradas entre órgãos públicos para enfrentar a poluição difusa na região.
Foto: Instagram/apadabaleiafranca.icmbio
Foto: Instagram/apadabaleiafranca.icmbio

O mais recente relatório de balneabilidade do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), publicado na sexta-feira (16), apontou a Lagoa de Ibiraquera como imprópria para banho. A lagoa está localizada em Imbituba e integra a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca (APABF). As coletas que embasaram o documento foram realizadas na terça-feira (13) em todo o litoral catarinense.

De acordo com o IMA, a amostra coletada na Lagoa de Ibiraquera apresentou contaminação fecal recente, identificada pela presença da bactéria Escherichia coli (E. coli). Esse micro-organismo é utilizado como indicador de poluição causada por esgoto ou dejetos de origem animal e humana.

Embora o relatório aponte a impropriedade da lagoa, a APABF informou que a maioria das praias inseridas na unidade de conservação apresenta condições adequadas para banho, com índices considerados acima da média do litoral catarinense. Ainda segundo o levantamento divulgado na sexta-feira (16), os pontos classificados como impróprios dentro da APABF são a Praia da Pinheira (ponto 5), a Praia de Garopaba (pontos 1 e 2), a Lagoa dos Freitas e a Praia do Rincão, em Balneário Rincão.

Saneamento básico

Para o analista ambiental da APABF/ICMBio, Stéphano Diniz Ridolfi, a situação da Lagoa de Ibiraquera evidencia um problema recorrente relacionado à falta de saneamento básico. “Precisamos reverter esse problema crônico onde todos saem perdendo, tanto às pessoas quanto aos ecossistemas marinhos”, afirma.

Segundo Ridolfi, a poluição por esgoto pode ocorrer de forma pontual ou difusa. No caso da Lagoa de Ibiraquera, conforme explicou, a contaminação difusa é recorrente e está associada ao lençol freático contaminado por fossas irregulares que despejam resíduos na lagoa.

“Se a poluição for pontual pode ser possível identificar o poluidor para fazer uma autuação com aplicação de multa e exigência de reparação. Mas geralmente, o que ocorre na região na lagoa, é uma poluição difusa, não sendo possível identificar as edificações que estão poluindo. Portanto, é fundamental que a gente encare esse conflito socioambiental, convoque os órgãos competentes, prefeituras, Ministério Público, e possamos mobilizar toda sociedade a resolver essa questão”, reforça.

Abertura irregular da Barra de Ibiraquera

O chefe da unidade de conservação também comentou sobre a abertura irregular da Barra de Ibiraquera, prática que, segundo ele, é frequentemente apontada por moradores como solução para a falta de balneabilidade. Conforme destacou, essa medida não resolve o problema da poluição. “Se ficarem abrindo a lagoa recorrentes vezes para jogar o esgoto o problema não será resolvido e poderá criar um problema ainda maior, com a perda da biodiversidade de espécies e do ecossistema com um todo”, declarou.

Ainda de acordo com a APABF, está prevista para este semestre de 2026 a apresentação do Plano de Ação das Lagoas Costeiras da APA da Baleia Franca. O documento deverá estabelecer ações de conservação e monitoramento das lagoas ao longo de cinco anos, incluindo medições e análises da água, controle do nível hídrico e caracterização ambiental das lagoas costeiras.

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