A sessão da Câmara de Vereadores de Garopaba realizada na terça-feira (14) contou, ao final dos trabalhos, com a participação da AGIR a Cidadania, que utilizou a tribuna popular para apresentar relatos e reivindicações relacionadas às pessoas com deficiência e transtornos do neurodesenvolvimento no município.
Durante o uso da palavra, a presidente da entidade, Luzia Gomes de Oliveira, afirmou que dados do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos indicam que uma em cada 36 crianças nasce dentro do espectro autista. Segundo ela, no Brasil ainda não há um mapeamento preciso sobre o tema, o que, conforme destacou, contribui para a invisibilidade dessa população nas políticas públicas.
Além disso, Luzia declarou que a ausência de dados impacta diretamente na destinação de recursos. “o que não é visto não é lembrado pelo orçamento público”, afirmou. Na sequência, ela explicou que a associação atua sem vínculo com o poder público e apresentou um documento com diretrizes aos vereadores, contendo, segundo ela, legislações já existentes que precisam ser cumpridas.
Relatos expõem falhas no atendimento a autistas em Garopaba
Em seguida, foram ouvidos depoimentos de convidados levados pela associação. A assistente social Iara relatou a experiência como mãe de um adulto autista e destacou a importância do acompanhamento desde a infância. Segundo ela, casos recentes no município evidenciam a ausência de protocolos específicos de atendimento, inclusive em unidades de saúde.
Durante a tribuna, a assistente social Iara relatou a experiência como mãe de um adulto autista e destacou a importância do acompanhamento desde a infância. Segundo ela, a ausência de protocolos específicos tem impactado atendimentos no município, inclusive em unidades de saúde.
De acordo com o relato, houve casos recentes em que pessoas autistas foram contidas durante atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), diante da falta de preparo adequado. “Tivemos um menino que foi atado, de 18 anos, atado, foi dopado e às 7 horas da manhã ele foi liberado com o pai para casa, sem nenhum tipo de encaminhamento”, afirmou.
Ainda segundo Iara, a inexistência de um protocolo específico para autismo pode comprometer o atendimento adequado e gerar situações de vulnerabilidade.
Outro depoimento foi feito pelo jovem Gustavo, que se identificou como autista. Ele relatou que concluiu o ensino médio e está em busca de uma oportunidade de trabalho, mencionando a dificuldade de inserção no mercado após o período escolar.
A professora Manuela, de 47 anos, durante sua fala, questionou o fato de o grupo ter sido chamado apenas no final da sessão. “primeiro eu gostaria de me manifestar a respeito da falta de respeito conosco, nos ternos deixado por último. Acho que vocês precisam, em primeiro lugar, se sensibilizar”, declarou.
Além disso, Manuela abordou a falta de inclusão na educação municipal. Segundo ela, há carência de profissionais e de entendimento sobre como a educação inclusiva deve ser aplicada. A participante também sugeriu que vereadores acompanhem a rotina de escolas e creches para compreender melhor as demandas.
Ainda durante a fala, ela mencionou o diagnóstico recebido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no município e destacou a importância de redes de apoio. Conforme afirmou, iniciativas da associação têm oferecido acolhimento a adultos autistas e familiares.
Outro relato foi feito por uma mãe de criança autista, que afirmou enfrentar dificuldades para acessar serviços públicos. Segundo ela, mesmo após o diagnóstico, o filho não recebeu terapias e suporte especializado, o que tem levado a família a buscar atendimento particular.
A mãe também mencionou desafios no ambiente escolar e situações de cobrança social. Conforme relatou, a ausência de suporte adequado impacta diretamente o desenvolvimento da criança e a rotina familiar.
Discurso reforça a necessidade de uma rede de apoio
Ao final, Luzia voltou a se manifestar e afirmou que a associação acompanha famílias em situação de vulnerabilidade. Segundo ela, há casos em que faltam recursos básicos, e os grupos terapêuticos organizados pela entidade surgiram da necessidade de acolhimento.
Ela reforçou que o documento entregue aos vereadores apresenta caminhos e diretrizes que podem ser adotados pelo município. A representante também colocou a associação à disposição para contribuir com informações e apoio técnico.
Ao final da participação, representantes da mesa diretora agradeceram as manifestações e informaram que o documento entregue será analisado nas comissões internas da Câmara de Vereadores, com retorno previsto aos representantes da associação.