sexta-feira, 28 novembro 2025

IMA/SC solicita à Prefeitura de Garopaba a retirada integral dos sacos da faixa de areia na Praia da Barra

Relatório registrou deterioração de sacos de fertilizantes, geotêxteis e outras estruturas e determinou que a Prefeitura faça a retirada em 45 dias.
Foto: IMA/SC
Foto: IMA/SC

O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC) através da Coordenadoria Regional do Meio Ambiente de Tubarão realizou vistoria na Praia da Barra, em Garopaba, para apurar a denúncia feita pelo Diretório Municipal do PSOL sobre impactos ambientais relacionados às estruturas instaladas para contenção.

A inspeção ocorreu no dia 12 de novembro e percorreu o trecho da orla desde a região da barra até o sentido sul, segundo o Relatório nº 1799/2025, ao qual o Garopaba.sc teve acesso.

A equipe técnica observou que diversas residências possuem estruturas de proteção costeira, como paliçadas de madeira, sacos de polipropileno com areia, telas plásticas, cordas, mantas geotêxteis, muros de pedra e áreas com vegetação plantada nos taludes. Grande parte desses materiais estava soterrada, incluindo sacos, blocos soltos, cordas e paliçadas.

O relatório descreve que sacos de polipropileno e mantas geotêxteis se encontravam em avançado estado de deterioração, liberando fragmentos para o ambiente. De acordo com a vistoria, boa parte das estruturas já não cumpria função de proteção costeira, além de dificultar o trânsito na praia em pontos onde o mar avançava até as edificações.

Também foram identificados sacos com inscrições relativas ao uso para fertilizantes e produtos químicos, indicando que não são reutilizáveis. O IMA registrou ainda o uso de espécies exóticas para recomposição de taludes, como Carpobrotus acinaciformis e Casuarina sp., prática que não é permitida em dunas frontais, classificadas como Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Sacos com inscrições relativas ao uso para fertilizantes e produtos químicos, indicando que não são reutilizáveis | Foto: IMA/SC

Durante a inspeção, os agentes verificaram uma placa informando autorização emitida pela Defesa Civil de Garopaba, vinculada ao Protocolo nº 586526/2025, referente ao restabelecimento de talude de uma residência. O relatório também registra que, no momento da vistoria, uma casa realizava recolocação de paliçadas com trator de esteira, apresentando o Ofício DC nº 31/2025, que orienta a retirada de sacos e madeiras após eventos meteoceanográficos e proíbe o uso de bags em futuras ações emergenciais. Tanto o protocolo quanto o ofício são assinados pelo diretor da defesa civil Guilherme Ramos de Lima Cipriano.

Uso de espécies exóticas para recomposição de taludes | IMA/SC

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O documento aponta que o Decreto nº 273/2025, utilizado pelo município para autorizar medidas emergenciais nas áreas costeiras, encontra-se vencido. Além disso, o IMA destaca que a situação atual das contenções já era conhecida em ações civis públicas, incluindo o processo nº 5004849-48.2024.4.04.7207/SC, que desde 2022 descreve os potenciais impactos ambientais na região.

O órgão estadual afirma que a praia é um bem de uso comum do povo e que, fora áreas regularizadas pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), não cabe ao particular instalar estruturas na faixa de areia, prevalecendo o interesse coletivo.

Prefeitura de Garopaba deverá remover os sacos de polipropileno

Diante do quadro, o IMA/SC recomenda que seja expedido ofício à Prefeitura Municipal, solicitando três medidas principais:

  1. Remover integralmente os sacos de polipropileno e mantas geotêxteis da faixa de areia, incluindo os materiais enterrados, no prazo de 45 dias. Outros resíduos deteriorados também devem ser retirados.
  2. Cientificar os proprietários sobre a restrição do uso de vegetação exótica em dunas frontais e APPs.
  3. Garantir que qualquer solicitação futura de contenção costeira, quando não sujeita a licenciamento ambiental, seja analisada tecnicamente pelo IMAG e executada por ente público.

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