sexta-feira, 16 janeiro 2026

Evento privado de Réveillon em Garopaba é alvo de queixas e pedidos de reembolso

Festa na beira da praia teve ceia vendida a R$ 600 por pessoa; clientes afirmam que o serviço contratado não foi cumprido e buscam ressarcimento judicial.
Foto: Redes Sociais/Reprodução Garopaba.sc
Foto: Redes Sociais/Reprodução Garopaba.sc

Um evento privado de Réveillon, denominado Réveillon 3030 Garopaba, organizado, segundo relatos de participantes e trabalhadores, por Eduardo Mognon Ferreira, foi realizado no espaço Mormaii da Praia, localizado na Rua dos Girassóis, em Garopaba, na noite de 31 de dezembro. A festa reuniu cerca de 450 pessoas, segundo relato de participantes, e passou a ser alvo de reclamações formais de consumidores, trabalhadores e prestadores de serviço.

De acordo com os relatos colhidos pela reportagem do Garopaba.sc, o evento teve ingressos comercializados em lotes, chegando até R$ 600 por pessoa, além de taxas de serviço cobradas pela plataforma de vendas Pensanoevento.com.br. A programação previa ceia completa, bebidas variadas e estrutura compatível com o público estimado.

Foto: Instagram
Foto: Instagram

Uma das participantes do evento ouvidas relatou que ela e o marido chegaram ao local por volta das 21h, horário informado no convite, e encontraram o espaço fechado. Segundo o depoimento, a abertura ocorreu cerca de 30 minutos depois, após uma fala do organizador aos presentes informando que resolvia questões logísticas.

“Ficamos 30 minutos numa fila, porque a casa estava fechada. Foi o primeiro momento que o Eduardo apareceu, e aí veio falar que seria o primeiro ano novo dele, que estava resolvendo algumas questões de logística”, afirmou.

Ainda segundo o relato, ao entrar no evento, os participantes se depararam com filas extensas para bebidas, sendo oferecido inicialmente apenas um tipo de drink. A cliente afirmou que aguardou cerca de 40 minutos para conseguir uma bebida e que mesas e itens alimentares anunciados previamente não estavam disponíveis.

“As mesas prometidas não existiam, não tinha a mesa dos queijos, não tinha a mesa dos pães”, disse.

A cliente relatou ainda que, por volta das 22h30, decidiu deixar o local e solicitar reembolso. Segundo ela, presenciou outra consumidora solicitando devolução imediata do valor pago, após ameaçar acionar a polícia. Ainda conforme o relato, o organizador teria efetuado o reembolso via Pix naquele momento.

“Quando chegou a minha vez de conversar com o Eduardo, ele tentou mentir para a gente”, afirmou.

Após sair do evento, a cliente disse que entrou em contato com o organizador e com a plataforma de venda de ingressos para solicitar a devolução do valor pago. Segundo ela, houve negativa de reembolso integral, com proposta de devolução parcial.

Não tinha mais espumante para o brinde da virada, relata participante

Outro relato, de uma segunda participante, aponta que o grupo permaneceu no evento até depois da meia-noite, na expectativa de que a situação fosse normalizada. Ela afirmou que a mesa de frutas estava praticamente vazia logo no início e que parte da comida anunciada não foi servida.

“Era perto da meia-noite, eram umas onze e meia. Aí eu falei para a minha amiga, vamos buscar champanhe para a gente poder brindar. Não tinha mais champanhe”, relatou.

Segundo essa cliente, a ceia foi servida após a virada, com filas longas e porções consideradas pequenas. Ela afirmou ainda que itens anunciados, como lentilha e sobremesa, não foram disponibilizados.

“Perguntei que horas ia servir a lentilha, o tiramisu. Elas falaram que não ia ter lentilha, que não foi pedido para ser feito. E nem o tiramisu”, disse.

A cliente também relatou ter conversado com funcionários do evento, que teriam informado que os alimentos chegaram pouco antes do início da festa e que não houve preparo prévio adequado. Ainda segundo ela, funcionários afirmaram que também não receberam refeição durante o trabalho.

Relatos semelhantes surgiram nas redes sociais durante o evento, segundo participantes, porém comentários teriam sido apagados e o perfil oficial do evento posteriormente removido do Instagram, após o aumento das reclamações públicas.

A reportagem questionou o organizador do evento sobre o motivo da página do evento não estar mais disponível na rede social. Em resposta, Eduardo Mognon Ferreira afirmou: “Eu não mexo na rede então não tenho acesso”.

Itens prometidos não foram preparados por decisão do organizador, diz cozinheira

A reportagem também ouviu a cozinheira que atuou no evento. Em seu depoimento, ela afirmou que foi contratada para trabalhar na casa do Eduardo e acabou envolvida na operação da ceia de Natal e do Réveillon. Segundo ela, houve falta de equipe, desorganização e alterações constantes no planejamento.

“Eu era só a cozinheira e eu não era nem a cozinheira do restaurante, eu era a funcionária da casa deles”, afirmou.

Ela relatou que trabalhou sozinha em diversas etapas, que itens prometidos não foram preparados por decisão do organizador e que, durante o evento, ele teria atribuído a ela a responsabilidade pelos problemas.

“Quando ele foi naquela fila lá e falou pra todo mundo que a culpa tinha sido da senhorinha da cozinha, eu pedi demissão”, disse.

Ainda conforme o relato, a cozinheira afirmou que parte dos utensílios usados para servir alimentos teria sido retirada do lixo, versão que também apareceu em depoimentos de clientes. Ela afirmou ainda que não recebeu integralmente o valor combinado pelo trabalho e que acionou a polícia para orientação.

“Eu só quero justiça”, declarou.

Eduardo na cozinha junto com a cozinheira do evento | Foto: Redes Sociais

O que diz o Eduardo Mognon Ferreira da organização do evento

A reportagem entrou em contato com Eduardo Mognon Ferreira, apontado como responsável pela operação do evento. Questionado sobre as reclamações, ele afirmou que reconhece problemas e que há uma política de devolução em andamento.

“Eu acredito que houve problemas e agora os que estão lesados estamos com a política de devolução”, respondeu.

Sobre como funciona o reembolso, ele informou que os casos estão sendo tratados pela plataforma de vendas. “Via PNE, lá tratamos todos os casos”, disse.

O que diz a Mormaii

A equipe do Garopaba.sc também procurou a assessoria de imprensa da Mormaii, marca associada ao espaço onde o evento ocorreu. Em nota, a empresa informou que a gestão e responsabilidade pelo local são da empresa The One Eventos LTDA, e que a Mormaii não participou da organização do Réveillon.

“A Mormaii não possui responsabilidade sobre a execução do evento, eventuais falhas na entrega do que foi prometido ou questões relacionadas a reembolsos”, informou a empresa.

Nota da Mormaii na íntegra:

Em relação ao evento citado, esclarecemos que toda gestão e responsabilidade pelo espaço Mormaii da Praia, em Garopaba, é realizada pela empresa The One Eventos LTDA, cuja proprietária é a Sra. Ivana Wathier. Todos os assuntos relacionados ao Réveillon –  comercialização de ingressos, prestação de serviços, fornecimento de alimentos ou cumprimento das condições oferecidas ao público – devem ser esclarecidos diretamente com os responsáveis acima indicados, não tendo a Mormaii qualquer participação na organização do mesmo.

Dessa forma, a Mormaii não possui responsabilidade sobre a execução do evento, eventuais falhas na entrega do que foi prometido ou questões relacionadas a reembolsos, que devem ser tratadas diretamente com a produtora e os responsáveis pela realização.

A Mormaii não compactua com situações que possam gerar prejuízo ou insatisfação ao consumidor e permanece à disposição para os esclarecimentos cabíveis dentro do seu escopo de atuação.

Consumidores cobram reparação

De acordo com informações repassadas à reportagem, consumidores e trabalhadores afirmam ter ingressado com processos judiciais que cobram reparação por danos, além de ações trabalhistas. Também foram registradas denúncias no Procon e boletins de ocorrência junto à Polícia Civil.

O Garopaba.sc segue acompanhando o caso.

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