A escritora e professora Thalita Coelho lança neste sábado (9), às 18h, o romance “Ressaca”, na Casa de Cultura de Garopaba, localizada na Rua Manoel de Araújo, 200, no Centro de Garopaba. O evento é gratuito e aberto ao público.
Publicada pela editora orlando, a obra utiliza elementos do realismo fantástico para abordar temas como luto, abuso sexual infantil, maternidade e relações familiares não normativas. A narrativa acompanha Marcela, uma professora impactada pela perda de uma aluna, e Leo, sua filha, cuja trajetória revela memórias e traumas familiares.
O romance conta com prefácio assinado pela escritora Monique Malcher e texto de orelha de Nalü Romano. Segundo Thalita Coelho, a motivação para escrever “Ressaca” surgiu após o suicídio de uma ex-aluna, episódio que levou a autora a refletir sobre vida, morte e memória.
“Da interrupção brusca da vida”, afirmou a escritora ao explicar o ponto de partida da obra. Conforme a autora, o nascimento do filho também influenciou o processo criativo. “A vida que se inicia a partir de um nascimento, como ocorreu com Ravel, meu filho, que veio acalmar o luto das duas mães”, declarou.
A construção do romance levou cinco anos e coincidiu com transformações pessoais vividas pela autora, entre elas o casamento, a maternidade e a perda da avó. Além disso, a ambientação no litoral catarinense tem papel central na narrativa, com o mar funcionando como símbolo das memórias e emoções que atravessam os personagens.
“O mar é parte importante de minha escrita, especialmente em ‘Ressaca’, funcionando como uma metáfora para as memórias que insistem em voltar”, explicou Thalita.
A relação entre Marcela e Pietra, assim como a dupla maternidade apresentada na obra, também compõem os principais eixos narrativos do romance. Doutora em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Thalita Coelho foi semifinalista do Prêmio Jabuti com o romance “Desmemória”, lançado em 2020.
Antes disso, a autora estreou na literatura com a coletânea de poemas “Terra Molhada”, publicada em 2018. Segundo a escritora, suas obras dialogam com temas ligados à memória, resistência e experiências historicamente silenciadas.