quarta-feira, 30 setembro 2026

IFSC Garopaba inicia estudos sobre contaminação de córrego na Gamboa

Comunidade busca apoio técnico e estudantes de Gestão Ambiental poderão desenvolver pesquisas sobre a qualidade da água.
Foto: Divulgação/IFSC Garopaba
Foto: Divulgação/IFSC Garopaba

O Câmpus Garopaba do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) iniciou uma articulação com a comunidade da Gamboa para estudar a contaminação de um córrego que desemboca no mar. A discussão ocorreu em 16 de setembro, durante uma roda de conversa realizada no Centro Multiúso do câmpus, com a participação de estudantes, professores e representantes da Associação Conselho Comunitário de Gamboa.

A iniciativa começou após a associação procurar o IFSC em busca de apoio técnico para compreender as condições do córrego, identificar possíveis fontes de contaminação e avaliar alternativas para reduzir os impactos. Antes do encontro com os estudantes, representantes da direção-geral do câmpus e da coordenação do curso de Gestão Ambiental estiveram na comunidade para conhecer o local e a situação relatada pelos moradores.

Durante a atividade, os representantes da associação apresentaram o histórico do problema e relataram as dificuldades enfrentadas na busca por informações. Conforme o coordenador do curso de Gestão Ambiental, Renato da Silva Rosa Rodrigues, o córrego está localizado no canto da Praia da Gamboa e desemboca diretamente no mar, em uma área de circulação de banhistas.

Entre os assuntos discutidos estiveram a qualidade da água, possíveis riscos ambientais e questões relacionadas à saúde pública. Além disso, a associação informou que já buscou informações junto à Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) e à administração municipal.

Segundo Renato, antes de qualquer proposta de intervenção seria necessário realizar um diagnóstico técnico e ambiental. O trabalho poderá incluir a identificação de possíveis fontes de contaminação, análises físico-químicas e microbiológicas da água, avaliação da vazão e das condições do entorno, além do levantamento de estudos e laudos existentes.

“Essas informações permitiriam compreender a origem e a dimensão do problema e avaliar posteriormente as alternativas de intervenção”, explica o coordenador.

A partir dos dados levantados, diferentes áreas relacionadas à Gestão Ambiental poderão ser estudadas, incluindo saneamento básico, tratamento e filtragem de efluentes, educação ambiental, gestão de recursos hídricos e avaliação de impactos ambientais.

Para a diretora-geral do Câmpus Garopaba, Renata de Sousa Pimenta, a aproximação permite relacionar a formação acadêmica com questões existentes na região.

“A produção científica precisa estar articulada com a realidade. Trazer os problemas do território para os estudantes é materializar essa concepção do fazer científico”, afirma.

Interesse em TCCs e projetos de pesquisa

A roda de conversa também resultou no interesse de estudantes em desenvolver trabalhos de conclusão de curso (TCCs) relacionados ao problema apresentado pela comunidade. Conforme Renata, os acadêmicos interessados deverão trabalhar junto aos professores orientadores e à associação na elaboração dos planos de pesquisa.

“Os estudantes que manifestaram interesse em realizar seus TCCs, juntamente com os professores orientadores, irão se articular com a Associação para criar o plano de trabalho que definirá as etapas de pesquisa”, explica Renata.

Além dos TCCs, o curso avalia a possibilidade de desenvolver projetos de pesquisa e extensão sobre o tema. Também está em análise a participação de pesquisadores de outros câmpus do IFSC e uma eventual integração com o Projeto de Monitoramento Microbiológico das Lagoas e Mares de Garopaba e Região.

De acordo com o IFSC, a viabilização das atividades dependerá também da busca por recursos. Entre as possibilidades estão a participação em editais e outras formas de financiamento, incluindo a captação por meio de emendas parlamentares.

Associação relata preocupação antiga

Para o presidente da Associação Conselho Comunitário de Gamboa, Lauri Machado, a parceria com o IFSC pode contribuir para a produção de informações técnicas sobre o córrego. Segundo ele, a preocupação da comunidade existe há anos e teria se intensificado com o crescimento da ocupação na região.

“A comunidade está convivendo com esse problema há muitos anos, desde que isso aqui praticamente se tornou balneário. Antes o córrego não era tão contaminado; depois, quando começaram a aparecer mais residências, mais condomínios e mais habitações na comunidade, aí piorou muito a qualidade da água”, relata.

Lauri também destaca a localização do ponto onde o córrego chega ao mar como um dos fatores de preocupação dos moradores. Conforme o presidente da associação, a expectativa é que os estudos possam ajudar a identificar as causas da contaminação e apontar alternativas para reduzir seus efeitos.

“Nós esperamos que somente uma instituição de ensino com a tecnologia que o IFSC tem poderá nos auxiliar para apresentar um projeto técnico que venha a solucionar essa situação. Seja filtrando, minimizando ou eliminando a bactéria presente na água, para evitar a contaminação dos banhistas”, afirma.

Visita técnica deve iniciar próxima etapa

A próxima etapa prevista é uma visita dos estudantes ao córrego e à área de entorno. A atividade deverá permitir que os acadêmicos conheçam as características do local antes da definição dos projetos de pesquisa e extensão.

“Nós encaminhamos o primeiro passo: a visita dos acadêmicos ao local. Eles poderão verificar o nível da água, onde é que decanta, onde é que não decanta, como é que acumula. Esse primeiro passo é para eles conhecerem a geografia do local e, a partir daí, estudar o tipo de projeto que pode ser elaborado”, explica Lauri.

A partir das observações em campo e do levantamento das informações técnicas, estudantes, professores, técnicos e representantes da comunidade deverão avaliar quais pesquisas poderão ser desenvolvidas. O objetivo inicial é produzir um diagnóstico que permita compreender as características e as possíveis causas do problema antes da definição de alternativas de intervenção.

*Com informações do IFSC

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