A valorização dos imóveis em regiões litorâneas tem impulsionado a construção de casas e apartamentos próximos ao mar em diversas cidades brasileiras. No entanto, especialistas alertam que obras realizadas nesses locais exigem cuidados técnicos específicos para enfrentar os efeitos da maresia, da umidade elevada e das variações constantes de temperatura.
Problemas como ferrugem em portões, corrosão de estruturas metálicas, infiltrações, descolamento de revestimentos e necessidade frequente de manutenção estão entre as ocorrências mais registradas em imóveis localizados próximos à costa. Segundo profissionais da área, esses danos costumam surgir alguns anos após a conclusão da obra, especialmente quando não há planejamento adequado durante as etapas de projeto e construção.
O engenheiro civil Leonardo Ricardo Bonito, que atua há mais de 12 anos no setor da construção civil e comanda uma empresa especializada em obras e reformas há mais de seis anos, afirma que um dos erros mais recorrentes é ignorar os impactos contínuos da maresia sobre os materiais utilizados.
“O ambiente litorâneo acelera processos de corrosão e desgaste de metais, compromete rejuntes, revestimentos e reduz significativamente a durabilidade de diversos materiais quando não existe uma especificação técnica adequada. Muitas vezes, o problema não aparece imediatamente, mas se manifesta poucos anos após a conclusão da obra”, explica.
De acordo com o especialista, a escolha correta dos materiais influencia diretamente a vida útil da edificação. Ferragens, estruturas metálicas e acabamentos convencionais podem apresentar desgaste acelerado devido à elevada concentração de sal presente no ar. Por isso, ele recomenda o uso de argamassas desenvolvidas para ambientes agressivos, sistemas de proteção anticorrosiva, metais apropriados para áreas litorâneas e revestimentos com baixa absorção de água.
Além disso, as variações térmicas e a umidade constante também representam desafios para a conservação das construções. Conforme Bonito, pisos e revestimentos estão sujeitos a dilatações frequentes, o que pode provocar fissuras, desplacamentos e infiltrações ao longo do tempo.
“Grandes formatos exigem nivelamento preciso, paginação estratégica e sistemas corretos de assentamento. Não se trata apenas de estética, mas de desempenho técnico e durabilidade da obra”, afirma Bonito.
Segundo o engenheiro, a tentativa de reduzir custos por meio da utilização de materiais inadequados ou da contratação de mão de obra sem especialização costuma resultar em despesas maiores no futuro. Dessa forma, projetos executados em regiões costeiras demandam planejamento detalhado, especificações compatíveis com as condições ambientais e acompanhamento técnico qualificado.
Ainda conforme o especialista, quando engenharia, arquitetura e especificação técnica são desenvolvidas de forma integrada, torna-se possível aumentar a durabilidade da construção, reduzir gastos com manutenção e preservar o valor do imóvel ao longo dos anos. Nesse contexto, construir próximo ao mar exige mais do que atenção ao projeto arquitetônico: requer soluções capazes de resistir aos efeitos permanentes do ambiente litorâneo.