A 2ª edição da Mostra Encantos de Cinema Ambiental (MECA) foi realizada entre os dias 21 e 29 de março em quatro cidades do litoral sul catarinense: Garopaba, Imbituba, Laguna e Florianópolis. O evento promoveu 26 sessões de cinema em 17 locais diferentes e reuniu mais de 1.500 pessoas ao longo de nove dias de programação gratuita.
Com exibição de 32 filmes nacionais e internacionais, a mostra promoveu 15 rodas de conversa com especialistas em diversas áreas, oficinas, exposições e apresentações artísticas. A iniciativa consolidou a MECA como uma maratona cultural voltada à reflexão sobre temas socioambientais por meio da arte e da educação.
Acesso à cultura e à diversidade artística
Durante o festival, os filmes foram exibidos em espaços como escolas, centros culturais, universidades e até em locais de comércio, como o Mercado do Produtor de Garopaba. Nessas sessões, o público teve contato direto com diretores, artistas e convidados. Conforme a organização, o objetivo foi ampliar o acesso à cultura e estimular o diálogo sobre sustentabilidade.
A cantora e compositora argentina Mariana Baraj, indicada ao Grammy Latino em 2017, participou como espectadora e também se apresentou durante o evento. “Para mim foi uma experiência muito especial, amo o cinema e considero que sempre me conectou com coisas incríveis e mágicas. E a música também está muito presente no cinema”, declarou.
A sessão que exibiu o documentário “Antes do Prato”, no Mercado do Produtor de Garopaba, reuniu moradores da cidade e produtores locais. Alicia Thorstenberg, presidente da Associação dos Produtores de Garopaba, afirmou que a atividade destacou a importância da agricultura familiar. “Foi de suma importância mostrar as fontes e as origens dos alimentos, que reflete como é difícil a gente manter uma vida saudável e a agricultura familiar.”
Diálogos e educação para a sustentabilidade
Em Garopaba, a Casa de Cultura recebeu uma roda de conversa na quinta-feira (27), com participação do dramaturgo Júlio Conte. O debate abordou a temática da água e reuniu o educador Jorge Rodrigues, o permacultor Yuri Kuzniecow, o representante do Instituto Municipal de Meio Ambiente de Garopaba (IMAG), Mateus de Melo, com mediação do curador da mostra, Ricardo Braga.
Segundo Júlio Conte, eventos como a MECA são essenciais. “Eu acho que lugares como esse, eventos como esse, são sensacionais, são essenciais para a preservação da vida inteligente no planeta Terra”, afirmou.
Durante os dias do festival, instituições de ensino também receberam sessões e rodas de conversa. O professor Tiago Paz, do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) Câmpus Garopaba, destacou a importância do evento para os estudantes. “Por mais que eles estejam num lugar que é turístico, muitas vezes eles não têm acesso a teatros ou a filmes relevantes socialmente”, afirmou.
De acordo com o docente, os temas ambientais abordados pela mostra dialogaram com conteúdos atuais, como a inteligência artificial. “É muito importante aproximar essa noção deles, para entenderem que a tecnologia pode ser usada para o bem, mas que tem um impacto ambiental muitas vezes invisível.”
Além das exibições presenciais, a MECA 2025 disponibilizou 11 filmes online, ampliando o alcance do festival. O projeto foi contemplado pelo Prêmio Catarinense de Cinema – Edição Especial Lei Paulo Gustavo/2023, com apoio da Fundação Catarinense de Cultura e do Governo do Estado de Santa Catarina.