quinta-feira, 1 outubro 2026

Hospital Municipal de Garopaba é apresentado e tem conclusão prevista para 2028

Proposta do IMAS prevê estrutura de quatro pavimentos, centro cirúrgico, UTI, exames e investimento de R$ 11,6 milhões.
Projeto Hospital Municipal de Garopaba | Foto: Divulgação/IMAS
Projeto Hospital Municipal de Garopaba | Foto: Divulgação/IMAS

O projeto do Hospital Municipal de Garopaba foi apresentado na noite de quarta-feira (30), durante uma cerimônia realizada na Câmara de Vereadores. O encontro reuniu autoridades, vereadores, representantes de conselhos municipais, associações comunitárias e integrantes da equipe responsável pela elaboração e avaliação da proposta.

Entre as autoridades presentes estavam o prefeito Junior de Abreu Bento (PP), o promotor de Justiça de Garopaba, Guilherme Brito Laus Simas, o secretário municipal de Saúde, Fabrício Trindade, o presidente da Câmara de Vereadores, Edmundo Alves do Nascimento (PP), além dos vereadores Jairo Pereira dos Santos (PP), Filipe dos Santos (PP), Sidnei Gonçalves (PP) e Rogério Linhares (Podemos). Também participaram representantes do Instituto Maria Schmitt (IMAS), responsável pelo projeto selecionado.

A cerimônia também contou com representantes de conselhos municipais e associações comunitárias. Conforme informado durante a abertura, o encontro teve como objetivo apresentar aos vereadores e à comunidade o projeto selecionado, após as etapas de análise, julgamento e homologação do processo.

Hospital Municipal de Garopaba é apresentado na Câmara de Vereadores | Foto: YouTube/camaragaropaba

Projeto prevê hospital com quatro pavimentos e serviços de alta complexidade

A proposta prevê uma unidade hospitalar com quatro pavimentos, 23 leitos de internação e dez leitos de terapia intensiva, além de centro cirúrgico e serviços de diagnóstico. O Hospital será implantado nas proximidades do Garopaba Pronto Atendimento (GPA).

De acordo com o secretário de Saúde de Garopaba, Fabrício Trindade, o projeto foi selecionado após um concurso de projetos e teve o Instituto Maria Schmitt (IMAS) declarado vencedor. Segundo ele, o processo foi homologado e a apresentação marcou uma nova etapa para conhecimento da proposta pelos vereadores e representantes da comunidade.

A apresentação técnica foi conduzida por representantes do IMAS, entre eles o médico Dr. Robson Schmitt Machado. Conforme explicado durante o evento, o projeto foi desenvolvido considerando as características do terreno e prevê uma estrutura verticalizada, com serviços distribuídos pelos pavimentos.

Recepção – Hospital Municipal de Garopaba | Foto: Divulgação/IMAS

A proposta prevê, no primeiro pavimento, áreas de acolhimento, atendimento multiprofissional, coleta laboratorial e serviços de diagnóstico e terapia. Também estão previstos equipamentos como tomografia, radiografia, ultrassom e eletrocardiograma. A ressonância magnética também faz parte do planejamento, embora a apresentação tenha indicado que sua implantação poderá ocorrer em uma etapa posterior.

No segundo pavimento estão previstos o centro cirúrgico, salas de recuperação pós-anestésica, Central de Material e Esterilização (CME), farmácia hospitalar e agência transfusional. O centro cirúrgico deverá contar inicialmente com três salas.

Centro Cirúrgico – Hospital Municipal de Garopaba | Foto: Divulgação/IMAS

Segundo o IMAS, a agência transfusional foi incluída no projeto para permitir que o hospital mantenha sangue e hemocomponentes disponíveis para situações que necessitem de transfusão. A estrutura, conforme explicado, não funcionará como local de doação, mas como unidade de armazenamento e controle de materiais provenientes da rede de hemoterapia.

O terceiro pavimento será destinado aos leitos de internação. Durante a apresentação, Robson Schmitt Machado informou que o projeto conseguiu ampliar o número de leitos inicialmente previsto no edital, chegando a 23 leitos de internação.

Já o quarto pavimento será destinado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com dez leitos. Segundo o representante do IMAS, a decisão de reservar parte da área para a terapia intensiva reduziu a quantidade de leitos convencionais que poderia ser instalada, mas permitiria ampliar a capacidade de atendimento de pacientes graves.

UTI – Hospital Municipal de Garopaba | Foto: Divulgação/IMAS

O projeto também prevê laboratório clínico, farmácia hospitalar com distribuição centralizada, endoscopia digestiva, colonoscopia, centro cirúrgico e equipamentos de diagnóstico por imagem. Conforme apresentado, a intenção é que a estrutura possa atender principalmente situações de maior complexidade e casos que atualmente exigem transferência para outros municípios.

Entre os exemplos citados durante a apresentação estão acidentes vasculares cerebrais e infartos, considerados pelos profissionais como situações dependentes de atendimento em tempo reduzido. A médica Dra. Evelyn Anny Sonobe Ferreira Dos Santos, responsável técnica da Secretaria Municipal de Saúde e integrante da comissão que avaliou os projetos, destacou as dificuldades enfrentadas atualmente nas transferências de pacientes.

Segundo Evelyn, a localização de Garopaba gera dificuldades adicionais nos deslocamentos, especialmente em situações de bloqueios ou interrupções na BR-101 e no Morro dos Cavalos. Ela também apontou que a disponibilidade de leitos em hospitais de referência pode influenciar diretamente o tempo necessário para a transferência de pacientes.

Durante a apresentação, o IMAS informou ainda que pretende utilizar sistemas de tecnologia e monitoramento na estrutura hospitalar. Entre as possibilidades citadas está a utilização de recursos de inteligência artificial em uma futura UTI, seguindo testes realizados em outra unidade administrada pela instituição. A implantação em Garopaba, porém, foi apresentada como uma possibilidade dependente da evolução desse projeto.

Investimento e modelo de funcionamento

De acordo com o projeto apresentado, o investimento previsto pelo IMAS para a construção da estrutura física chega a aproximadamente R$ 11,6 milhões. O valor citado contempla etapas relacionadas à construção, climatização, instalações e demais componentes necessários para a implantação da unidade.

Durante a apresentação, também foi informado que o município deverá participar com até R$ 5 milhões destinados à execução da obra, enquanto o terreno será disponibilizado para o empreendimento por um período de 30 anos. Conforme explicado pelo prefeito Junior de Abreu Bento, ao final desse período, a estrutura e o terreno deverão retornar ao município, caso não haja renovação do acordo.

O modelo apresentado prevê ainda atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de pacientes particulares e de planos de saúde. Segundo as informações apresentadas pelo IMAS, a composição das receitas é considerada necessária para garantir a sustentabilidade financeira de uma unidade hospitalar filantrópica.

A proposta apresentada prevê, no mínimo, 60% de atendimento pelo SUS e até 40% destinado ao atendimento privado e por convênios, conforme informado durante a cerimônia. A instituição também afirmou que não está previsto um custeio mensal permanente do município para o funcionamento do hospital.

Prazo depende de aprovações

O cronograma apresentado pelo IMAS prevê 18 meses para a execução da construção após a aprovação dos projetos pelos órgãos responsáveis. Antes disso, o projeto deverá passar pela análise da Vigilância Sanitária de Santa Catarina.

Conforme explicado por Robson Schmitt Machado, a análise inicial da Vigilância Sanitária pode levar até 90 dias. Caso sejam necessários ajustes, novas etapas de avaliação poderão ocorrer antes da aprovação definitiva. Depois da construção, ainda haverá uma nova vistoria para verificar se a obra foi executada conforme o projeto aprovado.

Após a conclusão da obra, o hospital deverá ser equipado e passar pelos procedimentos necessários para obtenção do alvará sanitário de funcionamento. Somente depois dessas etapas a unidade poderá iniciar efetivamente o atendimento à população.

O cronograma, portanto, está condicionado às aprovações dos projetos, à execução da obra, à instalação dos equipamentos e às autorizações sanitárias.

Projeto chega à Câmara de Vereadores

Com a apresentação realizada, o projeto entra em uma nova etapa de análise no Legislativo municipal. Durante a cerimônia, vereadores presentes manifestaram-se sobre a proposta e destacaram a necessidade de avaliar o projeto antes da votação.

O vereador Sidnei Gonçalves afirmou que a Câmara terá responsabilidade na análise da proposta e defendeu que a discussão seja feita considerando as necessidades do município. Já o vereador Felipe do Agro declarou que pretende apoiar o projeto e acompanhar a execução e a aplicação dos recursos.

O prefeito Junior de Abreu Bento afirmou, ao final da apresentação, que o projeto estava sendo encaminhado à Câmara de Vereadores para análise. Segundo ele, o município deverá participar da etapa de construção dentro dos limites financeiros estabelecidos na proposta.

Assim, a implantação do Hospital Municipal de Garopaba ainda depende das próximas etapas administrativas, legislativas, técnicas e sanitárias. O projeto apresentado estabelece uma estrutura de quatro pavimentos, 23 leitos de internação, dez leitos de UTI, centro cirúrgico, serviços de diagnóstico e uma proposta de funcionamento integrada ao atendimento pelo SUS e por convênios e particulares.

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