A implantação do projeto “Segunda-feira sem Carne” nas escolas da rede municipal de ensino de Garopaba gerou debates entre famílias e repercutiu na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) nesta quarta-feira (20).
A iniciativa prevê refeições sem carne às segundas-feiras nas unidades escolares e, segundo o município, segue diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), ligado ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Conforme o Setor de Alimentação Escolar, o objetivo da proposta é incentivar hábitos alimentares mais saudáveis e diversificados entre os estudantes. O município informou ainda que os cardápios são elaborados e acompanhados por nutricionistas da rede municipal, com substituição da proteína animal por combinações de cereais e leguminosas.
Apesar disso, parte das famílias passou a questionar a mudança no cardápio escolar, principalmente em relação ao valor nutricional das refeições oferecidas aos alunos.
Debate chegou à Alesc
O tema foi levado à tribuna da Alesc pela deputada estadual Ana Campagnolo (PL) durante a sessão ordinária desta quarta-feira (20). No pronunciamento, a parlamentar criticou a implantação da medida nas escolas municipais de Garopaba.
Durante a fala, a deputada comparou o projeto a campanhas internacionais de redução do consumo de carne e questionou a justificativa da medida. “Então, qual seria a justificativa para tirar a carne das crianças na segunda-feira? Para mim, a única justificativa que sobra é a justificativa ideológica”, declarou.
Ana Campagnolo também citou movimentos internacionais ligados ao “Meatless Monday”, criado nos Estados Unidos, além de mencionar fundações e organizações que, segundo ela, defendem a redução do consumo de carne em escala global.
Ao longo do pronunciamento, a parlamentar afirmou que a alimentação escolar possui papel importante para estudantes em situação de vulnerabilidade social. “Muitas vezes a comida de melhor qualidade que a criança tem no prato é aquela oferecida pela escola”, disse.
A deputada ainda citou estudos relacionados à nutrição infantil e argumentou que crianças submetidas à redução no consumo de carne precisariam de acompanhamento nutricional adequado. “Você acha que a prefeitura vai suplementar? Você acha que a prefeitura vai monitorar essas crianças?”, questionou.
Em outro trecho, Ana Campagnolo pediu que a administração municipal reveja a proposta. “Prefeito de Garopaba, não faça isso. Reveja seu posicionamento com relação a isso”, afirmou.
Vereador questiona retirada de carne da merenda escolar
Em publicação nas redes sociais, o vereador Felippe de Souza (MDB) afirmou ser contrário à retirada da proteína animal da merenda escolar, mesmo que a substituição ocorra apenas uma vez por semana.
Segundo o parlamentar, a discussão precisa ocorrer com “responsabilidade, transparência e debate técnico”. Na manifestação, Felippe de Souza declarou que o tema não envolve posicionamentos contrários à alimentação saudável ou ao consumo de legumes e verduras, mas sim questionamentos sobre os impactos da medida na nutrição infantil e na realidade de famílias que dependem da merenda escolar como uma das principais refeições das crianças.
O vereador também afirmou que “não podemos confundir escolhas alimentares, estilos de vida ou movimentos ideológicos com políticas públicas obrigatórias dentro da rede municipal de ensino”.
Conforme a publicação, ele informou ainda que encaminharia um ofício à Secretaria Municipal de Educação solicitando informações técnicas sobre a implementação do programa, os critérios nutricionais adotados, os estudos utilizados e a participação da comunidade escolar na decisão.
Nota oficial da Prefeitura de Garopaba:
“A Prefeitura Municipal de Garopaba esclarece que a alimentação escolar da rede municipal não sofreu retirada de carne ou redução de oferta proteica aos estudantes. A referência anteriormente utilizada à expressão “Segunda-feira sem carne” não representou a criação de política ideológica, partidária ou de restrição alimentar, mas apenas uma forma inadequada de denominar uma rotina operacional já existente no planejamento da alimentação escolar.
Historicamente, às segundas-feiras, o cardápio da rede municipal já observava preparações sem carne, em razão de questões logísticas e sanitárias relacionadas ao preparo seguro dos alimentos, especialmente porque não há expediente aos finais de semana para o descongelamento adequado de carnes e frangos.
No ano de 2026, inclusive, houve ampliação da oferta de refeições salgadas nas unidades escolares, que passaram de duas para três vezes por semana.
Os cardápios são elaborados e acompanhados pela equipe técnica de nutrição, observando critérios de qualidade nutricional, segurança alimentar e as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, com oferta de frutas, verduras, carnes e outras fontes de proteína ao longo da semana.
A Prefeitura reforça que não há adesão a movimento político, ideológico ou partidário, mas apenas organização técnica do serviço de alimentação escolar, com foco na segurança, equilíbrio nutricional e bem-estar dos estudantes”.