quinta-feira, 14 maio 2026

Indiciamento do prefeito de Garopaba é debatido por vereadores em sessão da Câmara

Presidente da Câmara questionou: “será que o delegado tá certo?”; já o vereador Felippe de Souza defendeu a credibilidade da Polícia Civil, citando seus 213 anos em SC.
Foto: Câmara/YouTube Reprodução Garopaba.sc
Foto: Câmara/YouTube Reprodução Garopaba.sc

Durante a sessão ordinária realizada na terça-feira (1º), na Câmara de Vereadores de Garopaba, o relatório da Polícia Civil sobre a Operação Maestro gerou manifestações de parlamentares da base e da oposição. O documento, resultou no indiciamento de 17 pessoas, incluindo servidores públicos, empresários e o prefeito Júnior de Abreu Bento (PP) por suspeitas de fraude em licitações, falsidade ideológica e organização criminosa, além de apontar indícios de lavagem de dinheiro.

O vereador Rodrigo de Oliveira (PT), utilizou a tribuna para comentar o caso e destacou trechos do relatório. Ele destacou que o prefeito da cidade estava sendo indiciado, e não apenas acusado, por três crimes administrativos, além de formação de organização criminosa e falsidade ideológica.

Segundo o parlamentar, o relatório indica que o objetivo da organização seria beneficiar interessados em procedimentos licitatórios sem atender às exigências legais, desviando recursos públicos por meio de itens não executados ou executados parcialmente.

Rodrigo também destacou a suspeita de lavagem de dinheiro, mencionando depósitos fracionados no valor de R$ 648 mil e outros R$ 1,3 milhão sem origem comprovada. Na avaliação do vereador, a Câmara precisa acompanhar o caso com seriedade.

O vereador da base governista, Filipe dos Santos (PP), conhecido como Felipe do Agro, defendeu o prefeito lendo um trecho da nota da defesa técnica e disse que não havia qualquer elemento no inquérito que comprovasse o recebimento de vantagens indevidas ou enriquecimento ilícito.

Ele lembrou o princípio constitucional da presunção da inocência e criticou julgamentos antecipados e comentários feitos nas redes sociais. Felipe afirmou que é preciso aguardar o desfecho do processo para emitir qualquer conclusão.

Leia também: Operação Maestro: Relatório final revela esquema em contratos da Prefeitura de Garopaba

O vereador Felippe de Souza (MDB) destacou que é importante não antecipar julgamentos, e da importância de não tirar a credibilidade da Polícia Civil, que tem 213 anos. Mas destacou que o teor das conversas registradas no relatório já permite ter uma noção do que ocorria nos bastidores do poder executivo municipal.

Felippe lembrou ainda que a Câmara havia conduzido uma CPI sobre as cestas básicas, que gerou desdobramentos no Tribunal de Contas e considerou legítimos os instrumentos de fiscalização utilizados pelo Legislativo.

O vereador Aires dos Santos (PP) que também é um dos indiciados, se posicionou em defesa do prefeito e da atual gestão. Afirmou confiar na Justiça e nos órgãos competentes, que nada foi concluído até o momento e que as investigações ainda serão analisadas pelo Ministério Público e pela Justiça.

Durante sua fala, criticou a oposição e declarou: “Se eu fosse a oposição eu estava escondido, agarrava o mato.” Acrescentou também: “A oposição é obrigada a enlouquecer.”

O parlamentar também mencionou ter vindo de uma família honesta e ter orgulho de sua história pública. Aires reforçou ter orgulho de sua trajetória pública e destacou que a verdade vai aparecer.

O presidente da Câmara, Edmundo Alves do Nascimento (PP), pediu cautela e defendeu o aguardo das etapas judiciais antes de qualquer julgamento. Em sua fala, questionou: “será que o delegado tá certo? Vamos aguardar.”

O vereador também leu em plenário a nota de defesa do prefeito, assinada por sua equipe jurídica e concluiu: “O prefeito entrou pobre na prefeitura e vai sair pobre — e ainda com fama de ladrão. Posso vir aqui mudar de opinião, mas no momento a gente não pode acusar ninguém.”

A Operação Maestro investiga suspeitas de irregularidades em contratos da Prefeitura de Garopaba firmados entre 2021 e 2023. O caso segue em segredo de justiça no Tribunal de Justiça, sob o nº 5050062-42.2025.8.24.0000.

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