sexta-feira, 6 março 2026

Chuva arrasta terra de obras e deixa água marrom na Praia Central de Garopaba

Sedimentos vindos de obras no Panorâmico após chuva deste domingo (18) geraram debate sobre urbanização e repercutiram nas redes sociais; IMAG emitiu nota sobre a legalidade da obra.
Foto: Instagram/garopabaporai
Foto: Instagram/garopabaporai

A alteração na coloração da água do mar na Praia Central de Garopaba, registrada no domingo (18), ocorreu em razão de um grande volume de barro que desceu após forte chuva. O fenômeno foi registrado em vídeos que circularam nas redes sociais e geraram questionamentos da população sobre os impactos do crescimento urbano na cidade.

Foto: Instagram/garopabaporai

Conforme relatos de moradores próximos, a água barrenta teve origem em obras do novo loteamento, implantado em uma área do Morro da Silveira que anteriormente possuía cobertura vegetal. Com a supressão da vegetação para abertura de lotes e vias, a chuva teria provocado o escoamento de parte do solo exposto, que desceu pelas encostas e alcançou áreas mais baixas e o mar na praia central.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Além da Praia Central, ruas por onde a enxurrada passou ficaram com acúmulo de terra. Nesta segunda-feira (19), equipes da Prefeitura Municipal atuaram na limpeza das vias atingidas, utilizando máquinas para retirada do material depositado.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Água marrom na praia central de Garopaba repercutiu nas redes sociais

A situação repercutiu nas redes sociais, onde internautas relacionaram o episódio ao modelo de desenvolvimento urbano adotado no município. Entre os comentários, usuários apontaram que o crescimento acelerado e a ocupação de áreas naturais têm afetado a paisagem e a qualidade ambiental, o que, segundo eles, pode comprometer a atividade turística e a relação histórica da cidade com a natureza. Outros destacaram mudanças visíveis em morros e áreas costeiras, defendendo que o crescimento deveria ocorrer de forma mais ordenada e com maior cautela ambiental.

O vereador Rodrigo de Oliveira (PT) também se manifestou nas redes sociais ao comentar as imagens da água escura no mar. De forma resumida, o parlamentar associou o episódio à escolha do modelo de cidade em discussão atualmente e à flexibilização das legislações ambientais, mencionando que empreendimentos em áreas de morro tendem a ampliar riscos como processos erosivos e deslizamentos. Segundo ele, o caso evidencia a necessidade de debate sobre normas municipais mais restritivas para proteção da paisagem e da segurança ambiental.

Após questionamentos da população sobre a regularidade da obra, o Instituto do Meio Ambiente de Garopaba (IMAG) divulgou nota oficial esclarecendo que o empreendimento possui Licença Ambiental de Instalação (LAI) nº 4134/2024, emitida pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC), para parcelamento do solo urbano, conforme a Resolução CONSEMA nº 250/2024.

De acordo com o IMAG, a licença ambiental prevê condicionantes obrigatórias, entre elas a adoção de medidas para controle de processos erosivos e a execução de um Programa de Controle da Erosão, com ações de prevenção, monitoramento e avaliação. O instituto explicou ainda que, conforme a Lei Complementar nº 140/2011, cabe ao órgão licenciador estadual a eventual lavratura de autos de infração, sem prejuízo da atuação fiscalizatória de outros entes.

Na nota, o IMAG informou que realizará vistoria técnica no local para analisar a situação observada, verificar o cumprimento das condicionantes da licença e, se necessário, encaminhar informações ao IMA/SC ou adotar providências administrativas dentro de sua competência. O órgão ressaltou que o licenciamento e a fiscalização ambiental são fundamentais para a proteção da qualidade ambiental e da saúde pública.

Nota no IMAG na íntegra:

Em razão das imagens recentemente divulgadas e dos questionamentos acerca da alteração da coloração da água na Praia Central de Garopaba, o Instituto do Meio Ambiente de Garopaba (IMAG) presta os seguintes esclarecimentos.

O empreendimento localizado nas proximidades das coordenadas SIRGAS 2000 / UTM Zona 22S – 734.393,90 m E e 6.896.792,72 m N, no bairro Centro, possui Licença Ambiental de Instalação (LAI) nº 4134/2024, emitida pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC), para a implantação da atividade 71.11.00 – Parcelamento do Solo Urbano, na modalidade de loteamento, conforme disposto na Resolução CONSEMA nº 250/2024.

A referida licença ambiental estabelece, entre suas condicionantes, a obrigatoriedade de adoção de medidas voltadas ao controle de processos erosivos, bem como a execução de Programa de Controle da Erosão, o qual deve contemplar a identificação e avaliação de eventuais processos erosivos, além da implementação de ações de prevenção, controle e monitoramento.

Nos termos do art. 17 da Lei Complementar nº 140/2011, compete ao órgão ambiental responsável pelo licenciamento, no caso o IMA/SC, a lavratura de auto de infração ambiental e a instauração de processo administrativo para a apuração de possíveis infrações relacionadas ao empreendimento licenciado.

Ressalta-se, contudo, que o § 3º do mesmo dispositivo legal estabelece que o exercício dessa competência não impede a atuação fiscalizatória dos demais entes federativos, no âmbito da atribuição comum de fiscalização ambiental.

Dessa forma, o IMAG realizará vistoria técnica no local, com o objetivo de analisar a situação observada, verificar a conformidade do empreendimento com as condicionantes da licença ambiental e, conforme o caso, encaminhar as informações ao IMA/SC ou adotar as providências administrativas cabíveis no âmbito de sua competência.

O IMAG reforça que o licenciamento e a fiscalização ambiental são essenciais para a proteção da qualidade ambiental e da saúde pública, permanecendo à disposição para prestar esclarecimentos adicionais à população e aos demais órgãos públicos.

Nota de esclarecimento Loteamento Panorâmico

Em nota de esclarecimento divulgada nesta terça-feira (20), a empresa responsável pelo Loteamento Panorâmico informou que a alteração na coloração da água do mar e o acúmulo de sedimentos em vias urbanas estão relacionados a obras da fase final do empreendimento, associadas a chuvas registradas nos dias 18 e 19 de janeiro. Segundo a empresa, os efeitos foram potencializados por precipitações consideradas atípicas para o período.

De acordo com o comunicado, após o término das chuvas, equipes foram mobilizadas para limpeza das áreas afetadas e reforço de estruturas de contenção. A empresa afirmou ainda que parte do sedimento ficou retida em vias urbanas, o que, segundo o texto, demonstraria a atuação das barreiras de contenção previstas no projeto.

Na nota, a empresa também esclarece que o loteamento teve aprovação inicial em 1984 e que o licenciamento ambiental vigente, incluindo a autorização para supressão de vegetação, foi emitido pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC). Conforme a empresa, o processo seguiu as exigências da legislação ambiental, incluindo a Lei da Mata Atlântica, com previsão de áreas destinadas à preservação e uso público.

No documento, a empresa destaca ainda que o carreamento de sedimentos para o sistema de drenagem urbana teria múltiplas origens, citando a existência de ruas não pavimentadas em áreas vizinhas e intervenções públicas em andamento no município como fatores que também contribuem para o volume de material transportado pela água da chuva.

Leia também

Compartilhe a notícia

Últimas notícias em Garopaba.sc

Decisão mantém a prisão preventiva do vereador de Garopaba investigado por descumprimento de medidas protetivas em caso de violência doméstica.
Encontro promovido pelo Núcleo da Mulher Empresária ocorre no sábado (14), na Praça 21 de Abril, com feira de negócios, serviços de saúde e atividades culturais.
Empresa afirma que transporte escolar é custeado pelo Estado e não pode levar alunos da rede particular ou federal.

Receba tudo em
seu e-mail

Assinatura Boas Vindas R$0,00/mês